A cinemateca vai deixar de ser um organismo público, ou pelo menos considerado de interesse e serviço público.
Pessoalmente, acho que é uma grande pena.
A cinemateca é como um conceito, com o seu quê de romântico no céu estrelado que antecede a entrada na sala, de resistência do cinema nos seus espectadores ferrenhos e idosos, que parecem esquecidos de uma sessão para a outra.
Isto para além de ser dos edifícios mais bonitos de Lisboa.
Por outro lado, e como as revoltas estão muito na moda, pode ser que isto tenha o efeito positivo de levar as pessoas à cinemateca. É bom, barato, e dá milhões.
Um filme por dia, não sabe o bem que via.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
contra informação
A população portuguesa sente-se intranquila, ao assistir nos últimos dias às imagens de uma revolução num país cujo nome não reconhecem.
“Eu tenho medo, pois claro que tenho! Falam em Egito isto, Egito aquilo, mas não dizem onde é... Eu sei lá o que é isso? Como as pessoas parecem meio muçulmanas, eu ainda fui ver se não seria no Martim Moniz, mas lá estava tudo tranquilo.” - Confidenciou-nos Alberto Juvenal, portador do BI número 128473.
Isaltina Oxalá também confessa estar inquieta com as notícias da revolução no país desconhecido: “Oh credo, e se isto chega cá? Eu estava a comentar isso com o meu filho Paulo – que vivia no Egipto, mas agora voltou – e ele também acha que as televisões deviam dizer que raio de país é este...
“Eu tenho medo, pois claro que tenho! Falam em Egito isto, Egito aquilo, mas não dizem onde é... Eu sei lá o que é isso? Como as pessoas parecem meio muçulmanas, eu ainda fui ver se não seria no Martim Moniz, mas lá estava tudo tranquilo.” - Confidenciou-nos Alberto Juvenal, portador do BI número 128473.
Isaltina Oxalá também confessa estar inquieta com as notícias da revolução no país desconhecido: “Oh credo, e se isto chega cá? Eu estava a comentar isso com o meu filho Paulo – que vivia no Egipto, mas agora voltou – e ele também acha que as televisões deviam dizer que raio de país é este...
sábado, 20 de novembro de 2010
PIGS
A União Europeia é uma instituição moderna, que para facilitar a escrita de sms's entre os habitantes europeus, recorre à invenção das mais variadas siglas.
Como "Países-que-estão-na-merda-e-ainda-por-cima-são-periféricos" não dava muito jeito numa conversa de chat, inventou-se a sigla PIGS, que refere Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha. Genial, não?
Eu estou capaz de apostar que quem instituiu o termo foi a chancelerona, num acesso de raiva. O PM Britânico, que estava a seu lado, matutou um bocadinho e concluiu que estava muito bem apanhado, formar a sigla com as iniciais dos países traquinas. A chanceler ficou intrigada com a informação: "Was? It does?".
Um assessor alemão cortou logo a palavra à chancelerona, antes que esta provocasse a ira dos PIGS: "Offcourse it does".
Enfim... até que fica no ouvido, não é?
Como "Países-que-estão-na-merda-e-ainda-por-cima-são-periféricos" não dava muito jeito numa conversa de chat, inventou-se a sigla PIGS, que refere Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha. Genial, não?
Eu estou capaz de apostar que quem instituiu o termo foi a chancelerona, num acesso de raiva. O PM Britânico, que estava a seu lado, matutou um bocadinho e concluiu que estava muito bem apanhado, formar a sigla com as iniciais dos países traquinas. A chanceler ficou intrigada com a informação: "Was? It does?".
Um assessor alemão cortou logo a palavra à chancelerona, antes que esta provocasse a ira dos PIGS: "Offcourse it does".
Enfim... até que fica no ouvido, não é?
terça-feira, 6 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Ensaio sobre a estupidez

Saramago morreu.
Mas isso já não é novidade para ninguém.
O primeiro Nobel da Literatura escrito na Língua Portuguesa deu o seu último suspiro a 18 de Junho de 2010 e a partir daí só ele sabe para onde foi.
Carregava nas costas quase nove décadas e o peso de ser um dos intelectuais mais brilhantes do planeta.
É uma pena a balança estar sempre desequilibrada.
Com uma frieza mental assustadora, Saramago fez declarações polémicas sobre diversos assuntos, tendo como consequência o ataque de acéfalos que não compreendiam (ou receavam) a visão de um homem que prezava a liberdade acima de tudo.
Sempre com a isenção de quem sente com o córtex cerebral.
Saramago não se dava ao luxo de ser optimista, pois de acordo com o escritor:
"Estamos afundados na merda do mundo e não é possível ser optimista. O optimista, ou é estúpido, ou insensível ou milionário."
Saramago morreu.
E as vendas da sua obra aumentaram desde então.
Ironia?
Não...
Apenas a confirmação de algo que já temos conhecimento.
Morrer é a melhor coisa que pode acontecer a um artista.
terça-feira, 29 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
rima
Gostava de ter alguma coisa apropriada para dedicar ao Saramago. Mas não tenho.
Já quando o Eça morreu me aconteceu a mesma coisa.
Que do medo se vive se sabe
e então bem pouco se sabe.
Mal acaba,
nada mais nos cabe.
Nem a morte.
Essa, coitada, só assusta
cada um de nós.
Nesse sólido compromisso
faz-se pouco e a contragosto.
O sabor, de tão omisso,
nem enjoa o suposto.
Já quando o Eça morreu me aconteceu a mesma coisa.
Que do medo se vive se sabe
e então bem pouco se sabe.
Mal acaba,
nada mais nos cabe.
Nem a morte.
Essa, coitada, só assusta
cada um de nós.
Nesse sólido compromisso
faz-se pouco e a contragosto.
O sabor, de tão omisso,
nem enjoa o suposto.
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